sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Roma: novas experiências, novas perspetivas


Roma foi a cidade que nos recebeu, Elsa Fonseca e Margarida Borralho, durante uma semana (5 a 9 de setembro) para frequentarmos a formação Autobiographical Methodologies in Adult Education no âmbito do programa Grundtvig e promovida pelo CIAPE.

As expetativas, concentradas apenas na formação, eram elevadas quanto ao que poderíamos trazer de novo. A semana de trabalho foi intensa, explorámos exercícios práticos onde tivemos que partilhar a nossa própria história de vida e com estes percebemos como a partilha de memórias e vivências, quando feita em grupo, pode ajudar a suscitar as memórias e vivências do outro. Constitui assim, um bom ponto de partida para a reflexão.

É claro que todos os exercícios que fizemos integrados na formação tiveram o seu valor, mas a possibilidade de partilha mútua entre pessoas de vários pontos da Europa, com vivências pessoais e profissionais diversificadas, com diferentes formas de vida é algo que fascina e que nos faz querer conhecer mais. Só assim podemos valorizar dignamente o que aprendemos com os outros.

A nossa formação em Roma, proporcionou-nos também a oportunidade de uma visita guiada por alguns dos mais importantes pontos (Escadaria de Espanha, Fonte de Trevi, Panteão, Fórum Romano), e claro que outros visitámos por nossa própria conta (Basílica de São Paulo, Praça de São Pedro, Museu do Vaticano, Capela Sistina).

O balanço é de todo positivo, pelo crescimento pessoal, formativo e profissional. Resta agradecer à nossa agência nacional (PROALV) pelo apoio que dá nesta iniciativa que todos devem aproveitar.

Elsa Fonseca, Formadora CP

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A perda de memória e os lapsos na memória são perigosos para um Povo

Raramente tenho lido um texto com o qual me identifique tanto... Está no Museu das Ocupações, em Tallin. Li-o duas vezes, para confirmar se a tradução mental não me teria enganado. Fiquei quase petrificado a olhar para ele. Para não mais o esquecer, tirei uma foto. Estes dias têm sido intensos e muito cansativos mas as emoções sentidas naqueles minutos foram inesquecíveis.
Trocarei a nacionalidade Estónia por Portugal:
"A perda de memória e os lapsos na memória são perigosos para um Povo. Dito de outra maneira, a preservação de memórias históricas ajuda a fortalecer as identidades quer do Povo quer do Estado. Independentemente do que o passado trouxe (alegria ou luto, honra ou vergonha), merece ser lembrado. O passado não pode ser removido da memória. [Portugal] é o único País que os [Portugueses] têm. Queremos aprender sobre o que aconteceu neste país e dizê-lo aos outros. Este Museu desempenha também uma função específica como memorial para as multidões que estão sepultadas em sepulturas rasas. Se falharmos o perpetuar da memória dos que pereceram, é como se nunca tivessem sido postos em descanso. Uma combinação de diversos fatores ajudou a nossa oprimida sociedade a sobreviver, a levantar as nossas cabeças na primeira oportunidade que surgiu e a restaurar a nossa independência nacional. Enquanto o sofrimento das vítimas [portuguesas] foi certamente um fator motivacional neste processo, nós somos quem somos agora graças à ânsia de liberdade do Povo, e porque o Povo nunca perdeu a esperança."

Sérgio Fernandes
cno@insignare.pt

O Medo da Matemática

Nos últimos anos é prática comum, ouvir aos alunos as seguintes frases “não percebo nada disto”, “para que serve esta fórmula”, “não entendo a mistura de número com letras”, “como se soma um número positivo com um negativo”, entre outras, mais irrisórias.
Então o que será este “bicho papão” a que chamam Matemática?

Matemática é uma ciência exata, pois permite a interpretação e a compreensão da estrutura do problema, resolve as diversas operações de forma a poder obter um resultado que será interpretado com êxito.

Assim, Matemático, é um adjetivo relativo à Matemática que significa exato e muito rigoroso.
Opinando sobre o seu significado, deve ter-se em atenção alguns passos a realizar na resolução de um problema: ler com atenção o enunciado, colocar os dados do problema sequencialmente, fazer, apagar, tornar a fazer e voltar a apagar. Resolver o problema, tantas vezes quanto for necessário, até chegar à solução.

A Matemática exige trabalho, calma, reflexão e gosto por sentir o momento da vitória aquando da solução correta.

O medo tem que ser superado, pois a Matemática persegue-nos, aparece no nosso dia a dia, várias vezes ao dia e em diferentes situações. O fundamental é dar uma segunda oportunidade aos números e olhar com outros olhos para a Matemática.

Então, por que não nos aliamos ao diabo dos números?

Desde o chefe de um grupo de caçadores pré-históricos, que planeia o ataque a uma manada de auroques (família dos Bovídeos), até ao matemático que calcula a trajetória de um foguetão, passando por um cozinheiro que faz a capitação de uma ementa, um rececionista que calcula a taxa de ocupação, um pedreiro que calcula a esquadria, um jardineiro que calcula uma área, todos nós já necessitámos ou iremos necessitar, de uma maneira ou de outra, de lidar com números, que são a essência da Matemática.

A Matemática ajuda a desenvolver o raciocínio lógico, facilita a realização de cálculos com clareza e rigor, a ultrapassar situações do nosso quotidiano, a tratar e criticar de forma correta a informação.

Ultrapassando este medo, vamos relaxar e veja de descobre a seguinte situação: o Policarpo na quinta-feira resolveu ir deitar-se às 8 horas da noite. Deu corda ao relógio e acertou o despertador para as 9 horas da manhã seguinte. Pretende-se saber quantas horas dormiu o Policarpo?

Dulce Maurício - Formadora RVCC nas áreas de MV e TIC

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Abertura de um novo ano letivo

Mais um ano a começar, novos amigos, novos professores, todos com diferentes objetivos e sonhos para concretizar.

Aos nossos novos alunos, que serão num futuro próximo, profissionais qualificados e responsáveis, desejo um ano repleto de boas notas, fruto de um trabalho merecido e dedicado, nesta nossa escola, que desde já, se orgulha da sua presença.


Aos professores, quero deixar uma mensagem de carinho e de coragem, para enfrentar novos desafios com a chegada de mais um ano letivo e que nem sempre veem o seu trabalho reconhecido e valorizado.


Envio também uma mensagem de incentivo e de coragem para todos os adultos do CNO da Insignare, que frequentam o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de Nível Básico, Secundário e PRO, para que consigam, em breve, certificar as suas competências, baseadas nas suas experiências de vida.


Os votos de um bom ano escolar e de trabalho, também quero deixar, a todos os funcionários da Insignare (Escola Profissional de Ourém, Escola de Hotelaria de Fátima e Centro Novas Oportunidades) e a todos aqueles que ainda não fazem parte desta grande família.




Anabela Neves Pereira (Profissional de RVC -Nível Secundário do CNO da INSIGNARE)


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Regresso às aulas


Regresso às aulas

Faltam poucos dias para o regresso às aulas. Muitos alunos estão prestes a começar uma nova fase no percurso escolar e pessoal.

Para os pais, este início de aulas começam muitas vezes com reuniões, como foi o meu caso ainda á pouco dias. Com a falta de atitude e um nível baixo de comportamento por parte de alguns adultos, manteve-se a “tradição”. Um exemplo: Não parar de falar com o(s) colega(s) do lado, enquanto uma pessoa expunha ou ouvia a resposta às suas dúvidas, no que resultou a que houvesse perguntas repetidas, alongamento de tempo e pessoas mal esclarecidas. Deveríamos ser menos egoístas, desenvolver mais consideração pelos outros e levar a uma melhor transmissão de valores para com os nossos filhos. Vamos investir mais e melhor na educação e conhecer melhor os nossos filhos.

Aos alunos gostava de deixar algumas palavras. Até porque também eu sou estudante, pai e trabalhador. O segredo do sucesso escolar reside na motivação. Esta deverá ser forte, mas não excessiva. Para tal, é necessário diversificar os assuntos a estudar e os métodos de trabalho durante a mesma sessão de estudo. Não devem esperar que a vontade chegue. Há que iniciar o estudo, começando sempre por uma tarefa fácil ou interessante. Leiam de tudo. Devorem a leitura, o prazer de ler. Sei do que falo. Com a redescoberta da escola redescobri o prazer da leitura e da escrita. Juntar de novo as letras, formar sílabas e as sílabas formando palavras, os vários significados, os sons, nem queria acreditar. Mas a verdadeira magia, era descobrir que conhecia essas palavras. Em resumo, voltar a aprender, voltar a saber comunicar, a conseguir discutir verdadeiramente. Tirem apontamentos, montes de apontamentos. Ajuda muito acreditem. Pesquisem e aprendam… Seja nos livros, na internet, nas bibliotecas, etc. Mas por favor, escrevam por palavras vossas, sentidas e honestas. Não copiem, não cortem, nem colem. Vocês sabem do que falo. Inovem e sejam honestos com vós mesmos. Conversem com os vossos pais, porque ao contrário do que muitos pensam, estes, dependendo de cada um, podem vos ajudar em muitas coisas. Não aceitem como resposta “falta de tempo” e expliquem o porquê sem receios e com lógica. Esclareçam as vossas dúvidas com os vossos professores, façam debates, discutindo os pós e os contras. Vejam o professor como um amigo que vos pode ensinar, esclarecer, ajudar, orientar e conduzi-los a serem melhor do que já são e, por favor, sejam educados.

Por fim, uma mensagem aos nossos professores. Muitos de nós temos consciência das vossas dificuldades. São muitas, concordo. Deveríamos cada vez mais associarmo-nos para resolver os problemas da Educação e parar de procurar culpados. Culpados somos todos nós. Estatisticamente tudo se explica, pessoalmente tudo se complica. Mas não foi para discutir este assunto (muito importante e atual), que escrevo estas palavras. Com o início das aulas, os alunos regressam à rotina e ao “trabalho”. Na sala de aula, cabe ao professor ajudá-los a entrar no ritmo certo. Cada aluno é um ser único que necessita de conquistar a sua identidade. Devem olhar nos olhos do aluno, não só para ver as coisas visíveis, mas para as que ainda não foram reveladas. Olhem para eles como pessoas que assimilarão os vossos ensinamentos para o resto da vida. Aproveitem cada dia e cada oportunidade para investir. Invistam na leitura. É a minha opinião. Com a leitura aprendemos, estudamos, deliramos e ao mesmo tempo obtemos tudo o que é necessário para formarmos uma opinião. Aulas ao ar livre, em contato com a natureza conciliada com a leitura e a liberdade, estimula os alunos e dá-lhes o prazer necessário para voltarem na próxima aula sem se sentirem obrigados. “É preciso ler! É preciso ler!

_ Para aprendermos.

_ Para termos sucesso nos estudos.

_ Para estarmos informados.

_ Para sabermos de onde vimos.

_ Para sabermos quem somos.

_ Para conhecermos melhores os outros.

_ Para sabermos onde vamos.

_ Para conservarmos a memória do passado.

_ Para esclarecermos o nosso presente.

_ Para aproveitarmos experiências anteriores.

_ Para não repetirmos os erros dos nossos antepassados.

_ Para ganharmos tempo.

_ Para darmos sentido à vida.

_ Para compreendermos os fundamentos da nossa civilização.

_ Para mantermos viva a nossa curiosidade.

_ Para nos distrairmos.

_ Para nos cultivarmos.

_ Para comunicar.

_ Para exercermos o nosso espírito crítico.”

Excerto do livro «Como um romance» de Daniel Pennac

E se encontrarem algum aluno menos bom, com feitio complicado, ou outra dificuldade, deitem-lhe a mão, amparem-no. Alguns professores costumam dizer (já com falta de paciência), “não tenho formação para isto”, ou “não estou aqui para isto”, não desanimem e tentem procurar a solução junto do próprio aluno. Este pode ter problemas em casa, com colegas ou outros, mas não o desemparem. Quem cumpriu o serviço militar, sabe que nunca se deixa ninguém para trás. Deixar um aluno para trás porque se tem que seguir um plano ou uma norma, deixa-me triste e revoltado. Dificilmente o faria.

Para concluir deixo-vos com uma reflexão.

“Ensinarás a voar…

Mas não voarão o teu voo.

Ensinarás a sonhar…

Mas não sonharão a tua vida.

Ensinarás a cantar…

Mas não cantarão a tua canção.

Ensinarás a pensar…

Mas não pensaram como tu.

Porém, saberás

Que cada vez que voem,

Sonhem, vivam, cantem

E pensem…

Estará a semente do caminho

Ensinado e aprendido.”

(Madre Teresa de Calcutá)

P.S. Boa sorte a todos e boas leituras.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Já todos sabemos…ou não?

Já todos sabemos que vivemos tempos difíceis. Já todos sabemos que estes dias, meses, se vão prolongar. Já todos sabemos que os números do desemprego estão nos níveis mais altos de sempre, com tendência para continuar a subir. Já todos sabemos que o desemprego afeta sobretudo os que têm mais baixas qualificações, pela dificuldade em voltar a entrar no mercado de trabalho. Já todos sabemos a imagem depreciativa que a Iniciativa Novas Oportunidades ganhou, associada ao facilitismo.

O que nem todos sabemos são os efeitos benéficos para quem se inscreve e concluiu o Processo RVCC. Sou incapaz de afirmar que é uma panaceia, individual e coletiva, para os todos os males mas acredito firmemente que pode ser um bom início.

Fundamento esta crença no estudo realizado pelo Professor Roberto Carneiro e a sua equipa do Centro de Estudos da Universidade Católica Portuguesa - “Avaliação Externa de 2010 à Iniciativa Novas Oportunidades (disponível em http://www.novasoportunidades.gov.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=1300&fileName=Microsoft_Word___Resultados_2010_da_Aval.pdf) – e nos testemunhos dos Adultos que frequenta(ra)m o CNO da INSIGNARE.

Conheço as críticas que fizeram ao Relatório, algumas delas justas – não avaliarem a qualidade do processo em si mas a satisfação dos Adultos em frequentarem – mas temos que trabalhar com as análises existentes.

Realço algumas conclusões: «Para além do aumento dos níveis de educação dos adultos verifica-se uma melhoria efectiva das suas competências-chave: os maiores ganhos de competência são em Literacia (leitura, escrita e comunicação oral) e em e-Competências (uso de computador e Internet); há forte reforço da Auto-Estima e da Motivação para continuar a aprender - "Aprender a aprender"; há melhoria generalizada das “soft-skills”: competências pessoais e sociais, cívicas e culturais; 32% das pessoas que passaram pela Iniciativa afirmaram que esse facto teve já algum impacto positivo na sua vida profissional; a família tem inegáveis impactos na procura da Iniciativa - a assimetria de qualificação entre cônjuges induz a procura por parte do menos qualificado, designadamente quando se trata do marido; por outro lado, quando um membro do casal inicia o percurso há elevada probabilidade de o outro também vir a aderir; em relação a 2009 intensificou-se o acesso dos indivíduos certificados à Sociedade de Informação; para usos pessoais e profissionais a percentagem de utilizadores de Internet elevou-se de 67% para 83% e os "heavy users" passaram de 35% para 60%; os "ganhos do eu" são muito expressivos: é declarado o aumento de Cultura Geral, o reforço da vontade de continuar a estudar e aumentam também quer o sentimento de segurança quer a extroversão;»

Inexistem melhorias? Que tal pensar nas alternativas inversas – caso não se tivessem inscrito, estariam melhor?

O nosso CNO está presente em várias freguesias do Concelho, abrangendo a sua totalidade, incorpora formação no processo para apoio aos adultos, desenvolve ateliês de exploração de competências para um acompanhamento mais personalizado. Somos conhecidos pela exigência e rigor que colocamos mas corrigimos as falhas e apoiamos os Adultos que nos honram com a sua escolha.

“Em tempo de lágrimas, há quem chore e há quem venda lenços de papel.” (Anónimo)

Sérgio Fernandes

cno@insignare.pt