terça-feira, 30 de agosto de 2011

Principais Benefícios na Educação e Formação – o Impacto nos Participantes das Visitas de Estudo

O Programa de Visitas de Estudo faz parte do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida 2007-2013, apoiando a cooperação entre os especialistas europeus de educação e de formação profissional. Durante o intercâmbio, de três a cinco dias intensivos, os participantes de diferentes países europeus examinam e discutem a educação e a formação de políticas e práticas, partilham experiências e conhecimentos, procuram abordagens comuns e soluções eficazes para os desafios e projetam redes de cooperação futura.

Em 2008/09, 2 532 decisores e profissionais de 30 países participaram em 246 Visitas de Estudo, propostas por 29 países. Os maiores grupos participantes eram diretores coordenadores e formadores de professores (25%), diretores de instituições de ensino e formação profissional, ou de centros de orientação e validação (18%) e representantes de autoridades locais, regionais e nacionais responsáveis ​​pela educação e formação (10%).

Durante abril e maio de 2010, o CEDEFOP conduziu uma pesquisa a estes participantes para aprender o que eles tinham adquirido com a sua participação. Foram recebidas respostas de 983 participantes, em representação de vários setores da educação e formação profissional.


Os resultados confirmaram tanto o sucesso considerável e grande relevância das visitas, com 96% dos participantes muito satisfeitos ou satisfeitos com a sua experiência (ver Figura 1). 81% dos inquiridos consideram o conhecimento e as informações que eles adquiriram relevante ou muito relevante para as suas atividades profissionais.



Figura 1. Nível de satisfação dos participantes com as visitas de estudo.






Participar em Visitas de Estudo oferece uma OPORTUNIDADE REAL ...



93% dos entrevistados disseram que se tornaram mais conscientes dos objetivos comuns e das diferenças entre sistemas de educação e formação noutros países europeus, bem como dos desafios semelhantes que podem ser resolvidos pela aplicação de soluções bem sucedidas que aprenderam durante as visitas.



“A parte mais benéfica da visita de estudo foi a ativa demonstração das políticas de educação implementadas em todo o sistema. [...] As visitas a instituições de ensino [...] foram realmente importantes. Além disso, a troca de opiniões entre os participantes da visita de estudo com peritos ou colaboradores da escola permitiu uma maior compreensão das inovações / práticas que vimos (participante da Grécia)”.

Os participantes também se tornaram mais conscientes da cooperação europeia na educação e formação (70%), das estratégias de aprendizagem ao longo da vida na UE e nos Estados-Membros (50%), referências para a educação e formação na Europa (41%), ferramentas e princípios europeus como EQF (1), ECVET (2) e o Europass (24%). Após as visitas, 80% continuaram a explorar os temas e assuntos que aprenderam através de discussões com colegas ou projetos de cooperação.

Agora tenho contactos com profissionais da educação em toda a Europa [...]. Eu acho que estas visitas melhoram as ligações entre os europeus como membros do mesmo continente (participante da Espanha) ”.
91% aprenderam sobre exemplos de políticas efetivas e práticas de outros países.

“ Aprendemos boas práticas realizadas nas escolas que visitamos, que vão desde a igualdade de oportunidades para os formandos com dificuldades de aprendizagem e alunos com necessidades especiais, a utilização das TIC, à cooperação entre as escolas, até ao planeamento da carreira (participante da Alemanha) ”.

Com base nas informações adquiridas durante as visitas de estudo, 55% dos entrevistados propôs mudanças para o trabalho das suas instituições, onde cerca de metade das quais foram aceites. Entre as dificuldades na implementação das mudanças, os participantes enfatizaram a necessidade de sistemas de educação, de formação e de gestão para as suas instituições se tornarem mais abertas ao mundo e a novas ideias.

A visita proporcionou, a 52% de participantes, soluções para os problemas que estavam a enfrentar.

“ Eu conheci muitas pessoas com os mesmos interesses que trabalham noutras situações e noutros países, mas a nossa visão de boa educação é a mesma e isso apoia-me no meu trabalho. Eu vi muitos exemplos práticos (participante da Bélgica) ”
Participar em visitas de estudo é, na maioria dos casos, uma porta para aumentar o envolvimento em programas e cooperações europeus; 84% dos participantes permaneceram em contacto com pessoas que conheceram durante a visita. Dentro de um ano da visita, cerca de um terço dos entrevistados conseguiu desenvolver e apresentar uma proposta de um projeto de cooperação. Um quarto deles ajudaram a sua instituição a sediar uma visita de estudo, enquanto 91% encorajaram outros a participar do programa de visitas de estudo.

“ Durante a minha visita encontrei parceiros trabalhadores, sérios e realmente motivados em melhorar o ensino e aprendizagem na Europa (participante de Portugal) ”.
“ A visita de estudo foi uma possibilidade para descobrir parceiros para a cooperação europeia: encontrei parceiros para a minha escola, bem como para outras duas escolas, para concorrer a um projeto Comenius (participante da Turquia) ”.
92% dos entrevistados revelou que a participação foi benéfica para as suas competências pessoais, tornando-os mais confiantes na comunicação numa língua estrangeira sobre questões relacionadas com as suas atividades profissionais (81%) e na comunicação com pessoas de outras culturas (87%).


“Aprendi muito sobre o sistema de educação especial noutros países, recolhi muitas ideias novas e desenvolvi os meus conhecimentos de Inglês (participante da Hungria) ”.

Figura 2. Resumo de Respostas.




Visitas de Estudo são uma FERRAMENTA PODEROSA ...


Um grande número de participantes trouxe os resultados das suas visitas à atenção dos políticos e decisores a nível local (57%), regional (33%) e nacional (15%), incluindo os ministérios da educação.

O programa de visitas de estudo relaciona os desenvolvimentos políticos a nível da UE com as práticas de educação e formação locais e regionais. 39% dos inquiridos iniciaram discussões sobre políticas de educação e formação europeias nas suas organizações. Um terço dos entrevistados utilizaram o que aprenderam em visitas de estudo para fazer sugestões referentes às políticas de educação e formação nos seus países, onde cerca de 70% destes foram relatados como levados em consideração.

“ Eu fiz a proposta, durante os debates sobre a nova lei da educação que ocorreu local e nacionalmente, da utilização das TIC a partir de uma fase inicial: pré-escolar como uma parte de nosso currículo nacional (participante da Roménia) “.

Quase todos os participantes (98% dos entrevistados) realizou atividades de divulgação: trocaram informações sobre o que aprenderam durante a visita com os seus colegas (94%), administração (62%), os estudantes (42%) e os seus pais (25%). Também realizaram apresentações (60%), informações organizadas (46%), sessões de formação para os seus colegas (31%) ou relatórios partilhados sobre os resultados das visitas de estudo (58%). Muitos escreveram artigos para jornais profissionais e meios de comunicação locais (24%). Alguns mencionaram que deram entrevistas para jornais locais, rádio e TV ou partilharam informações através das redes sociais (blogs, Facebook, sites pessoais). Os participantes também difundiram informações de maneiras mais informais.




(1) EQF – The European Qualification Framework (Quadro Europeu de Qualificações)
(2) ECVET – European Credit system for Vocational Education & Training (Sistema Europeu de Créditos para o Ensino e Formação)
Traduzido do original “Major Benefits in Education and Training: Follow Study Visits. Impact on 2008/2009 Study Visits participants”, CEDEFOP, Grécia, 2011.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sede de saber: a voz do adulto certificado


Sou Rui Henriques, tenho 43 anos e sou Canteiro de profissão. O motivo que me levou a frequentar o Centro Novas Oportunidades foi uma motivação pessoal e uma oportunidade que surgiu pelas vozes de outras pessoas amigas. O ter saído da escola de uma maneira tão desumana, pela mão de uma professora, foi também outra razão. Precisava de provar a mim mesmo e só a mim que tinha e tenho condições para ir mais longe na minha vida académica. O ter filhos desde há dezoito anos levou-me a deixar de olhar só para mim, para lhes poder dar toda a atenção necessária e uma boa educação. No início do ano passado, tomei uma decisão com a minha família. Estava na altura de olhar um pouco para mim. Enchi-me de coragem e fiz a inscrição que mudou a minha vida. Tenho de agradecer aos meus irmãos terem participado comigo nesta aventura, pois com eles foi mais fácil voltar à escola. Ao mesmo tempo, penso que por os ter convencido a me acompanhar dei-lhes uma prenda involuntária. Hoje estão de certeza mais “ricos”. Além disso, a família serve para isso mesmo: partilhar. Frequentar o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências do Ensino Básico, foi para mim um voltar a nascer e voltar a viver. Algumas dúvidas me afloravam o espirito, pois não sabia ao que vinha e não tinha a noção de que os saberes adquiridos ao longo da minha vida seriam necessários e quase suficientes para um bom desempenho, para além de que os hábitos e as rotinas de estudo há muito estavam esquecidos. Reconheço hoje que as expetativas criadas não saíram defraudadas, bem pelo contrário, foram reforçadas. Afinal tenho algumas competências que desconhecia, ou que no mínimo não valorizava devidamente. Não foi fácil, na medida em que falar de nós na primeira pessoa é um exercício que se torna muitas vezes complicado. Sinto-me hoje muito melhor formado. Melhorei o meu vocabulário, a organização de textos escritos e devo dizer que a escrita é um prazer, desinibi-me ao expor-me para argumentar ou contra argumentar e até participei em tertúlias. Um hábito que voltei a ter foi o de Leitura. Confesso que hoje não passo sem ler. Orgulho-me ter conseguido concluído o Ensino Básico. A minha filha mais velha disse-me muitas vezes, principalmente quando me surgia alguma dúvida, que se era eu que andava na escola, era eu que tinha de mostrar aquilo que sabia. Concordo plenamente e acho que todos nós como estudantes devemos mostrar o que sabemos na realidade e não deixar que outros o façam por nós. Os jovens com quem tenho conversado sobre este Processo de RVCC mostram sempre uma enorme contrariedade. “Vocês fazem num ano, onde eu demoro vários.” Tento lhes explicar, e isto também serve para a todos os interessados, sejam ricos ou pobres, jornalistas ou políticos; que depois de deixar de ser estudante na Escola Secundária fui para outra Grande Escola. A Escola da Vida. Os mais velhos sabem bem do que falo. Hoje tenho que conciliar o meu ofício, os meus deveres para com a minha família e estudar ao mesmo tempo. Isto implica um grande sacrifício e gostava que fosse bem entendido por toda a gente. Não se deve julgar os outros só porque não continuaram na escola, independentemente das razões que possam ter tido. Se todos parassem para pensar e conversar, chegaríamos à conclusão que temos é que nos unir. Juntar o útil ao agradável. Juntar a sabedoria dos mais velhos e a perícia mostrada pelos mais novos na utilização das novas tecnologias. Para os tentar acompanhar, no início deste ano fiz uma Formação em “Fundamentos de Cultura, Língua e Comunicação”, de nível 3, que me deu bastante prazer. Aprender sobre o novo Acordo Ortográfico, Interpretação de Textos, Comunicação Interpessoal, Domínio da Escrita, Convenções e Transcrição Fonética, entre outros. Foi uma grande experiência, um desenrolar de vivências e aprendizagens que me suscitou diversas emoções que nos fazem sentir em forma. Isto, porque o bem-estar físico e psíquico, passa também por ativar o nosso cérebro e exercitar a nossa memória. Foi bastante útil porque voltei a inscrever-me no Processo de RVCC, agora Secundário, que ainda está a decorrer. Posso hoje dizer, que vale a pena investir algum tempo disponível na valorização da componente formativa/cultural, pois é sempre uma mais-valia importante no exercício da cidadania e no mundo laboral. Para concluir estes processos, é absolutamente necessário saber utilizar o computador. Para mim não foi novidade, pois tenho um há muito tempo e sei como o utilizar. É claro que faço por estar sempre alerta, em relação a novas atualizações, no que respeita às novas tecnologias. Até no meu local de trabalho começam a aparecer máquinas onde é necessário a utilização dos computadores. A Língua Inglesa, no meu caso, também é necessária para concluir o Nível Secundário. Tenho ao longo da minha vida aprendido de várias maneiras a falar e a escrever esta bonita língua, hoje bastante útil no dia-a-dia, seja com as novas tecnologias, dar indicações a turistas ou no meu ofício para compreender clientes de outros países, entre outras. Tomei consciência da importância que tem a formação aos mais variados níveis. Na valorização pessoal de cada um de nós, no desenvolvimento económico do país, mas também para a nossa afirmação no contexto europeu. Não posso esquecer as pessoas que conheci, como colegas excecionais, formadores como nunca tive, agradecer à Técnica de RVCC, Sílvia Gonçalves, que me sugeriu participar com um pequeno texto para o jornal “Repórter” e a uma Grande Escola como a Insignare, que serve de exemplo ou deveria servir de exemplo para muitas outras. Desde já, o meu muito obrigado por me proporcionarem momentos inesquecíveis e contribuírem para a melhoria do meu futuro enquanto cidadão português, europeu e mundial.
Rui Henriques

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Exercício de Cidadania

O Dicionário da Língua Portuguesa define Cidadão como «indivíduo pertencente a um estado livre, no gozo dos seus direitos civis e políticos, e sujeito a todas as obrigações inerentes a essa condição». O sociólogo Herbert de Sousa define «como sendo o indivíduo que tem consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade.»
Vem esta introdução a respeito dos comentários nas Redes Sociais sobre o falecimento de Angélico Vieira, ator e cantor.
Um número importante dos comentários lamentava a sua morte; um número pequeno realçava que tinha havido outra morte - Hélio Filpe, seu amigo - e ferimentos graves noutra jovem, ainda internada, muito menos falados, e inquiria o porquê deste fato; outros queixavam-se que a importância que estava a ser dada era demasiada, pois todos os dias pessoas perdem a vida nas estradas e nnguém opina com tanto fervor; outros ainda faziam comentários depreciativos sobre o ator e/ou a sua música - nesta senda, vários humoristas chamaram a atenção para a distinção entre humor, mesmo negro, e falta de respeito.
Aquilo que leva a escrever este texto tem a ver com a rapidez com que as ditas piadas mas também os comentários fora do padrão maioritário (quer no sentido comovido quer no sentido humorístico, dependendo do principal autor da mensagem e respetivo local) descambaram em insultos pessoais, palavrões e afins, por os seus autores se admirarem como alguém podia expressar tais opiniões, absolutamente discordantes da média e do local.
O antropólogo Roger Keesing define Cultura de acordo com três abordagens: a segunda considera cultura como sistemas estruturais - define cultura como "um sistema simbólico que é a criação acumulativa da mente humana. O seu trabalho tem sido o de descobrir na estruturação dos domínios culturais – mito, arte, parentesco e linguagem – os princípios da mente que geram essas elaborações culturais. Refere que a cultura é uma lente através da qual o Homem vê o mundo - pessoas de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm visões distintas das coisas.
O fato de que o Homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural (isso é denominado etnocentrismo), depreciando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade.
Voltando ao início, era muito importante para que as pessoas soubessem viver em plena Cidadania o respeito pelas opiniões dos outros, mesmo e sobretudo quando discordantes. O discordar é possível, permitido e pessoalmente incentivo-o, mas enquadrado no respeito pelo outro, sem ser necessário "personalizar", humilhar a pessoa a quem se destina a discordância.
Considerando que este respeito se desenvolve a partir do Pré-Escolar e no Primeiro Ciclo, tenho dúvidas que esteja a resultar esta aprendizagem. Ou será que o anonimato que as Redes Sociais permitem, na prática um exercício individualista no mundo virtual, faz trazer ao de cima o selvagem que há em alguns?
Sérgio Fernandes

terça-feira, 10 de maio de 2011

INSIGNARE implementa pólo de formação na freixianda

No dia 9 de maio, celebrou-se um protocolo de cooperação entre a INSIGNARE, o Município de Ourém, o agrupamento de Escolas da Freixianda e as Juntas de Freguesia de Casal dos Bernardos, Formigais, Freixianda, Ribeira do Fárrio e Rio de Couros, com vista à instalação de um pólo de formação inicial e continua na zona norte do Concelho.

Este novo pólo de formação ficará instalado no edifício da Escola Básica N.º 1 da Freixianda que ficará desocupadO aquando da transferência para o novo centro escolar em construção, já a partir do próximo ano letivo. Até lá, funcionará provisoriamente na Junta de Freguesia da Freixianda, com início no dia 16 de maio (segunda-feira), local onde estará duas tardes por semana um técnico da INSIGNARE para esclarecimento de dúvidas, inscrições e encaminhamento das pessoas que aí se dirijam.

O objetivo de constituição deste pólo de formação, envolvendo todos os parceiros acima mencionados, possibilitará um agrupar de sinergias com o intuito de levar às zonas mais interiores do Concelho de Ourém a possibilidade de usufruir de um conjunto de oportunidades formativas até agora centradas apenas na sede do Concelho ou dinamizadas em centros com maior densidade populacional como Fátima.
Especificamente o Pólo permitirá o reconhecimento e validação de percursos escolares e profissionais (através do Centro Novas Oportunidades), o desenvolvimento de formações direcionadas às necessidades específicas destas populações (através do Centro de Formação Contínua) e ainda o desenvolvimento de cursos de educação e formação de jovens, utilizando o know how das duas escolas profissionais propriedade da INSIGNARE (Escola Profissional de Ourém e Escola Profissional de Hotelaria de Fátima) no que respeita ao desenvolvimento de cursos com forte cariz tecnológico e prático, muito direcionados à inserção no mercado de trabalho.
Este novo pólo formativo incorporará ainda a valência de apoio à inserção profissional dinamizando uma bolsa de emprego que tentará adequar ofertas e procuras de emprego.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Improving Life Skills Through Informal Adult Education



Fazer parte da União Europeia não é só abrir fronteiras e mercados, enquanto os políticos se encontram em Bruxelas para decidir o futuro de todos os países desta mesma Europa. Uma verdadeira União constroi-se com o encontro entre os cidadãos comuns, trocando experiências, know-how e boas práticas.
Tive o privilégio de participar numa formação denominada Improving Life Skills Through Informal Adult Education, em Limassol, no Chipre. Como o próprio nome indica, o tema foi a educação de adultos e formas de desenvolver competências de vida em contexto informal, com especial destaque para a aprendizagem ativa e para as dinâmicas de grupo.
Os formadores de adultos de diversos países da Europa (Portugal, Roménia, Lituânia, Eslovénia) tomaram então o papel de formandos e as atividades foram sendo desenvolvidas durante a semana, aumentando cada dia a sua complexidade e profundidade.
Nos primeiros dias as atividades centraram-se no ice-breaking e team building, de forma a criar laços entre os formandos que permitissem um maior aprofundamento das reflexões nos dias seguintes. Seguiram-se o auto-conhecimento e a auto-estima, ferramentas fundamentais para qualquer aprendente, de forma a tomar conciência das suas forças e fraquezas e construir o seu percurso formativo sobre uma base sólida.
A comunicação e a resolução de problemas foram os temas seguintes, cujo objetivo era, em grupo, comunicar de forma eficaz as ideias e resolver problemas comuns apresentados pelas formadoras. Construir uma estrutura apenas com jornais sem falar ou encontrar uma solução unânime para dilemas morais foram algumas dessas atividades.
Posteriormente foram feitos exercícios práticos de integração, sempre um problema em grupos de formação, sejam eles adultos, adolescentes ou crianças. A integração no grupo é um ponto fulcral para uma experiência formativa completa, baseada não só na receção de conteúdos formador/formando, mas também na troca de experiências entre os formandos.



Esta última foi o foco de um dos dias de formação, em que foram apresentadas por todos os formandos e formadoras as práticas na educação de adultos nos países representados neste curso. Sendo Portugal o país mais representado, e a iniciativa Novas Oportunidades em particular, foi com muito interesse que os representantes de outros países seguiram o esforço que se faz em Portugal para recuperar um défice de qualificação que nos empurra para a cauda da Europa neste campo.
Posso concluir que foi uma semana de aprendizagem intensa, tanto a nível formativo como pessoal, e que aconselho a quem tiver oportunidade, pois a abertura a novas formas de trabalhar e de aprender é uma das mais valias que a Europa nos pode oferecer.

Ricardo Vieira
Formador RVC

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O que fazer pela minha região?


Procurar respostas para a questão que titula este texto, foi o objectivo de recente reunião organizada pela ADLEI – Associação para o Desenvolvimento de Leiria, que se realizou nas magníficas instalações do M|I|MO. Dividido em 4 blocos, os contributos analisaram a nossa realidade e procuraram respostas para o que se deve fazer, o que se está a fazer e o que se pode e vai fazer pela região. Investigadores, associações empresariais, entidade regional de turismo, ensino superior, associações autárquicas, deputados, jornalistas e associados da ADLEI, procuraram definir os principais constrangimentos e linhas de potencial desenvolvimento. Independentemente das conclusões que brevemente a ADLEI apresentará, aproveito este oportuno espaço para fazer a minha leitura sobre tudo aquilo que ouvi. Leitura pessoal, como não podia deixar de ser. O maior constrangimento daquilo a que designamos por “região de Leiria” é que ninguém sabe muito bem ao que nos estamos a referir. Poderá lutar-se pela afirmação de uma região que não consegue identificar o seu próprio território? Corresponderá ao distrito? Ao Pinhal Litoral? Ao território da agora designada Entidade Regional de Turismo? Inclui o concelho de Ourém? Tão grave como não saber qual a verdadeira área de abrangência deste território, é ele não ter um núcleo urbano que verdadeiramente o lidere. Que pelo seu peso populacional, económico e político, mas sobretudo pelas dinâmicas que provoca no espaço envolvente, assuma indiscutivelmente o estatuto de líder. Aqui a resposta parece óbvia. É de Leiria que estamos a falar. Mas e em boa verdade, que impactos conseguiu Leiria provocar no território que institucionalmente lidera (o distrito)? E será que algum dos municípios mais próximos, os da Região de Leiria (ou será que devemos dizer da Alta Estremadura), se revê nesta liderança de Leiria? Território totalmente pulverizado por todo o tipo de divisões e em permanente perda de protagonismo e de estruturas públicas de apoio resta-lhe a proposta de um atento participante. Coordenação, Parceria, Liderança. E quem deverá liderar? Uma agência de desenvolvimento, eventualmente decorrente de uma evolução, nesse sentido, da ADLEI. Concordo. Porque não a pluralidade desinteressada de uma associação cívica? Quem melhor (e mais barato) pode reunir a massa crítica existente nos vários domínios e através de um espaço sistemático de reflexão, promover uma fusão de interesses e objectivos que permitam caminhar num único sentido. Um sentido colectivo que resulte de opções globais e não do somatório das pequenas opções municipais. Um verdadeiro rumo que não se perca a copiar modelos existentes e se compare com a vizinhança, mas que assuma padrões internacionais de referência e permita pensar Leiria como uma Região de Excelência. E até aí e a partir daí pensar GRANDE. Acreditar que o Politécnico, pela sua qualidade, tem que ser uma Universidade. Que é urgente instalar na nossa Região o Novo Aeroporto do Centro. Que os municípios devem fundir a sua representatividade associativa regional numa única entidade e que devem intensificar a sua capacidade de cooperação. Que a Região precisa de um Centro de Congressos de nível e dimensão internacional. Que a requalificação da Linha do Oeste é fundamental. Que o problema da poluição suinícola é a maior chaga para a qualidade de vida e imagem da Região. Sobretudo estancar a constante perda de protagonismo institucional e de tudo aquilo que o Estado teima em levar para outros lados. Apostar na nossa maior riqueza, as Empresas, e com elas garantir desenvolvimento e emprego. É possível concretizar tudo isto, basta querermos!

Francisco Vieira

Director Executivo da INSIGNARE

In Jornal de Leiria de 24 de Março de 2011